Entrou no meu gabinete a chorar. Um senhora ainda jovem.
Vinha de duas consultas.
"Não dou direito com a minha vida. Tudo me corre mal. Estou doente; muito doente. Não me consigo curar; os médicos também se vêem aflitos comigo: bem tentam ajudar-me, mas não conseguem dar com o medicamento adequado."
As lágrimas continuavam a correr-lhe pelo rosto.
Apesar da sua razoável aparência, notava-se um sofrimento atroz nas linhas do seu rosto.
Tento fazer-lhe perguntas que lhe permitissem desabafar o que lhe ia no íntimo. Sem violentar a sua privacidade.
De repente, sai-lhe lá do fundo de si mesma:
"Padre, quase há 20 anos que não sei o que é receber um carinho, um gesto de ternura!"
Não me custou depreender que estava aqui a razão de tanto sofrer.
Como é possível alguém viver 20 anos sem um gesto de ternura?
Depois de uma longa conversa, e em momento de despedida, sai-lhe um pedido do seu coração:
"Padre, pode dar-me um abraço?
Foi esta a nossa despedida.