Soube
que tem um casal de filhos; mas, como não andam de bem um com o outro, não a
visitam muitas vezes: não se querem encontrar!
E,
enquanto isto, ela (de 80 e tais anos) vai definhando. As duas colegas de
quarto sabem da sua carência de afecto e procuram dar-lho o mais que podem. Mas
nem tudo podem fazer. As forças físicas delas são poucas ou nenhumas.
Ontem,
à hora do almoço, entrei no seu quarto; as duas colegas já tinham almoçado, mas
ela ainda continuava com quase tudo à frente.
"Então,
não há apetite?"
"Não,
não sou capaz de comer!"
Do
lado sai um piropo: " O que ela deve querer é que lhe dêem o comer na
boca!" Sorrimos todos.
"Ora
vamos lá ver se alguma coisa começa a desaparecer de cima da mesa! Primeiro a
sopa. Parece estar tão saborosa..." pego na colher e, na brincadeira,
começo a dar-lha na boca. E não é que ela come?! Foram só 5 colheres, mas já
foi bom.
Vejo
uma taça cheia de fruta triturada. E também começo a dar-lha às colheradas, na
boca. E foi toda.
Havia
mais uma taça de pudim.
"Não,
já não quero mais nada!"
"Olhe,
só 3 colheres. Pode ser?"
"Mas
só 3!"
"Tá
bem. Vá lá: uma... ( e lá foi ela)... uma e meia... uma e três quartos...
duas... duas e meia... duas e três quartos... três!" E foram sete colheres
de pudim!
"Já
não posso mais. Mas agora estou consolada!"
O
que falta a esta doente não é o apetite: O que lhe falta é alguém que lhe dê
atenção!
E
os dois filhos continuam zangados, não aparecem porque têm receio de se
encontrar um com o outro.
Que
pena. Assim, a sopa, a fruta e o pudim continuam em cima da mesa sem que esta
velhinha lhes consiga tocar.