Vê-se que é uma pessoa simples, no verdadeiro sentido da palavra. Que sabe pensar, sabe estar e com bastante discernimento. No entanto, e apesar disso tudo, está um pouco doente do cérebro.
Falava eu de que todos temos valor e todos temos algumas qualidades; temos é de as pôr a render!
Com toda a educação, pediu licença para falar. Claro que deixei.
"O que o senhor está a dizer é verdade. Mas olhe que, ainda há uns dias, alguém me disse que eu não valho nada, que não tenho ponta por onde se pegue, que só estou a gastar os vossos impostos." E todos os outros que estavam presentes confirmaram que isto se tinha passado.
Fiquei estupefacto.
Como é possível que isto se diga a uma pessoa que está em processo de cura? Porque é que não se trabalha para se irem descobrindo as pequenas qualidades que cada um tem, a fim de que, a pouco e pouco, elas se vão potenciando? A cura não está no castigo dos crimes, mas em valorizar as poucas ou pequenas qualidades que cada um tem.
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
sábado, 18 de novembro de 2017
CORAÇÃO SOFRE
Há momentos na vida em que não sei que dizer nem que fazer, de tal modo as situações com que sou confrontado me deixam perplexo. E a sofrer.
Recordo-me como se fosse hoje: uma jovem em estado terminal. Passava pouco dos vinte cinco anos. Um cancro invadia-lhe todo o corpo. Medicamente já não havia nada a fazer.
Os pais estavam aflitos e em grande sofrimento. Faziam muitas perguntas. É que tinham tido um filho, fruto do seu amor. Mas este filho, sem se saber porquê, pôs termo à vida.
Um dia, souberam duma menina, ainda criança, abandonada. Resolveram adoptá-la. E assim fizeram.
Mas é esta a menina que, agora, também está a morrer.
Porquê? Porquê todo este sofrimento? Ao menos sentem a felicidade de terem tratado dela até agora.
Mas o sofrimento é muito.
Não encontrei palavras para lhes dirigir.
O silêncio e o olhar foram as minhas únicas palavras que encontrei para lhes dizer.
Coração sofre!
Recordo-me como se fosse hoje: uma jovem em estado terminal. Passava pouco dos vinte cinco anos. Um cancro invadia-lhe todo o corpo. Medicamente já não havia nada a fazer.
Os pais estavam aflitos e em grande sofrimento. Faziam muitas perguntas. É que tinham tido um filho, fruto do seu amor. Mas este filho, sem se saber porquê, pôs termo à vida.
Um dia, souberam duma menina, ainda criança, abandonada. Resolveram adoptá-la. E assim fizeram.
Mas é esta a menina que, agora, também está a morrer.
Porquê? Porquê todo este sofrimento? Ao menos sentem a felicidade de terem tratado dela até agora.
Mas o sofrimento é muito.
Não encontrei palavras para lhes dirigir.
O silêncio e o olhar foram as minhas únicas palavras que encontrei para lhes dizer.
Coração sofre!
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
A NOSSA MÃE NÃO VAI MORRER NUMA CAMA DO HOSPITAL
Já lá vão uns meses, mas não consigo esquecer o que se passou.
Uma mãe internada há uns dois dias e que, dum momento para o outro, viu o seu estado de saúde agravar-se, até que ficou inconsciente. A idade já era um pouco avançada.Neste momento difícil, os filhos estavam à sua volta.
Chamam-me e, com toda a convicção e ternura, dizem-me:
"A nossa mãe não vai morrer aqui numa cama do Hospital. Não é este o ambiente próprio para ela morrer. Vamos levá-la para casa dela. Para o seu quarto e a sua cama. Será lá, no seu próprio ambiente, que ela partirá. Nenhum de nós a irá abandonar. Todos lá estaremos até ao fim. Nesse local onde ela nos criou, onde ela sofreu e foi feliz. Medicamente já não há nada a fazer. Mas, nós, temos ainda tudo a fazer: dar-lhe todo o nosso afecto, mesmo que ela não o sinta."
E lá partiram.
E eu fiquei comovido com tanto amor.
Uma mãe internada há uns dois dias e que, dum momento para o outro, viu o seu estado de saúde agravar-se, até que ficou inconsciente. A idade já era um pouco avançada.Neste momento difícil, os filhos estavam à sua volta.
Chamam-me e, com toda a convicção e ternura, dizem-me:
"A nossa mãe não vai morrer aqui numa cama do Hospital. Não é este o ambiente próprio para ela morrer. Vamos levá-la para casa dela. Para o seu quarto e a sua cama. Será lá, no seu próprio ambiente, que ela partirá. Nenhum de nós a irá abandonar. Todos lá estaremos até ao fim. Nesse local onde ela nos criou, onde ela sofreu e foi feliz. Medicamente já não há nada a fazer. Mas, nós, temos ainda tudo a fazer: dar-lhe todo o nosso afecto, mesmo que ela não o sinta."
E lá partiram.
E eu fiquei comovido com tanto amor.
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
UMA VIDA DEDICADA AOS FILHOS... E AGORA?
Saía eu do Hospital, afim de almoçar qualquer coisa.
Um homem, sentado num banco exterior, a olhar para o chão, mãos entre os joelhos.
Disse-lhe "bom dia!". Ele respondeu na mesma moeda.
Semblante pesado e triste. Não me atrevi a perguntar o que se passava. Mas não foi preciso perguntar. De um momento para o outro, começa a dizer:
"Estou mesmo triste. Tenho aqui internada a minha mulher. Não se encontra nada bem. Estou triste por ela. Mas não só. Tenho duas filhas. Eu e a minha mulher lutámos muito para lhes dar um curso superior. Eu andava toda a semana fora; muitas vezes, só passado um mês é que eu voltava a casa; a minha mulher trabalhava no campo. Aos fins de semana, quando eu vinha a casa, também ajudava no campo. Elas tiraram o seu curso, casaram, tiveram filhos. Fomos nós que as ajudámos a criar os filhos; ficávamos com eles para elas irem trabalhar... Agora, que precisamos delas, elas não aparecem. Ainda não vieram ver a mãe. Têm medo que, tendo ela alta, eu a leve para casa delas. Mas não! Sou eu que irei tratar dela. Mas é triste,. muito triste que elas não a venham visitar."
O que é que eu havia de dizer? Nada. Só escutei.
Um homem, sentado num banco exterior, a olhar para o chão, mãos entre os joelhos.
Disse-lhe "bom dia!". Ele respondeu na mesma moeda.
Semblante pesado e triste. Não me atrevi a perguntar o que se passava. Mas não foi preciso perguntar. De um momento para o outro, começa a dizer:
"Estou mesmo triste. Tenho aqui internada a minha mulher. Não se encontra nada bem. Estou triste por ela. Mas não só. Tenho duas filhas. Eu e a minha mulher lutámos muito para lhes dar um curso superior. Eu andava toda a semana fora; muitas vezes, só passado um mês é que eu voltava a casa; a minha mulher trabalhava no campo. Aos fins de semana, quando eu vinha a casa, também ajudava no campo. Elas tiraram o seu curso, casaram, tiveram filhos. Fomos nós que as ajudámos a criar os filhos; ficávamos com eles para elas irem trabalhar... Agora, que precisamos delas, elas não aparecem. Ainda não vieram ver a mãe. Têm medo que, tendo ela alta, eu a leve para casa delas. Mas não! Sou eu que irei tratar dela. Mas é triste,. muito triste que elas não a venham visitar."
O que é que eu havia de dizer? Nada. Só escutei.
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