Já lá vão uns meses, mas não consigo esquecer o que se passou.
Uma mãe internada há uns dois dias e que, dum momento para o outro, viu o seu estado de saúde agravar-se, até que ficou inconsciente. A idade já era um pouco avançada.Neste momento difícil, os filhos estavam à sua volta.
Chamam-me e, com toda a convicção e ternura, dizem-me:
"A nossa mãe não vai morrer aqui numa cama do Hospital. Não é este o ambiente próprio para ela morrer. Vamos levá-la para casa dela. Para o seu quarto e a sua cama. Será lá, no seu próprio ambiente, que ela partirá. Nenhum de nós a irá abandonar. Todos lá estaremos até ao fim. Nesse local onde ela nos criou, onde ela sofreu e foi feliz. Medicamente já não há nada a fazer. Mas, nós, temos ainda tudo a fazer: dar-lhe todo o nosso afecto, mesmo que ela não o sinta."
E lá partiram.
E eu fiquei comovido com tanto amor.
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