quinta-feira, 31 de agosto de 2017

UMA VIDA PRESA POR UM FIO

Não sabia bem ao que vinha. Só sentia que necessitava de ajuda.
"O meu pai está ali no átrio, aflito. Ele não queria vir ao médico, mas eu trouxe-o 'à força'. Queixa-se com dores. Julga que tem algo ruim. Não quer falar com ninguém..."
Tentei acalmá-la. Pedi licença para fazer perguntas.
Depois de longo diálogo, resolvemos ir ter com o pai.
A custo conseguimos trazê-lo até ao gabinete.
Metia dó a sua aflição. Tinha feito exames há pouco tempo. Nem queria ir ao médico porque desconfiava duma má notícia.
Pedi-lhe licença para ir ver se encontrava o médico. Disse que sim.
O médico pediu-me para o trazer até ao consultório.
Consegui que ele viesse. E deixei-os em boa companhia, a do médico.
Passados uns bons minutos, aparecem-me, pai e filha, a agradecer a ajuda. Já ficaram com consulta marcada.
Nunca mais soube deste senhor.
No entanto, há uns dias, aparece-me no gabinete este senhor.
Vinha agradecer. Agora sente-se outro. Afinal não tem nada de muito mau, apesar de ter de ter cautela com a doença.
"Obrigado, padre. Se eu não tivesse vindo aqui, eu já me tinha matado. Era essa a minha intenção quando andava aflito. A minha filha e o senhor ajudaram-me a que eu estivesse hoje aqui a conversar consigo. Obrigado"