Sei que o assunto é difícil e muitíssimo delicado.
Mas, no dia-a-dia do meu trabalho debato-me com isto: a dificuldade que temos em deixar que um nosso familiar ou pessoa amiga deixe esta vida.
Quando a doença é irreversível, quando já não há esperança alguma de melhorias... que fazer? Aferrar-mo-nos à vida do doente, com toda a gama de tratamentos (muitos deles provocando um sofrimento cada vez maior), ou permitir que a pessoa em causa se possa ir despedindo da vida com toda a calma possível e percorrendo o caminho normal da vida de um ser humano?
Muitas vezes ouvimos dizer: "Já não há nada a fazer!" Será que não há mesmo? Para mim, há TUDO a fazer. Desde a presença mais constante, a ternura mais delicada e aprimorada, o sorriso, o toque, os medicamentos que tiram as dores... Tudo isto e muito mais permitirá que, a pouco e pouco nos vamos "despedindo" da pessoa e ela se vá "despedindo" de nós.
Quando temos essa dificuldade em deixarmos que a pessoa parta estamos a lembrar-nos dessa pessoa, ou a pensarmos só em nós?
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