sábado, 9 de abril de 2016

É UMA INJUSTIÇA

Preparado para sair do trabalho, encontro uma senhora a chorar compulsivamente.
Coloco a minha mão sobre o seu ombro. Não digo nada. E limito-me a ouvir as suas lágrimas.
Passados alguns minutos, diz:
"É uma injustiça. O meu filho, com 27 anos, tem um cancro. Sempre foi um miúdo bem comportado. Estudou, tirou o seu curso superior com esforço. Teve de trabalhar para conseguir pagar os estudos. Nós somos pobres. Agora, não posso acreditar que o fim dele seja morrer dentro de algum tempo. Eu não sou capaz de ver o meu filho morrer. Não posso ficar cá e vê-lo partir. É uma injustiça. É uma injustiça! É uma injustiça, um rapaz tão bom e estar a sofrer tanto. É uma injustiça."
Não consegui dizer nada. Mas a minha mão continuava no seu ombro.

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