Toca o meu telemóvel interno. Vejo que é da portaria que me chamam.
"Padre, onde o podemos encontrar?"
"Estou no 4º Piso. Mas, se esperarem um pouquinho, irei ter convosco."
"Sim, esperamos por si na Capela".
Desci a toda a pressa. Vi que, na voz, havia ansiedade e sofrimento. Entramos no gabinete, convido a sentarem-se (uma senhora já de bastante idade e outra bem mais nova, sobrinha da mais velha). Não fui capaz de perguntar "o que se passa" e também não foi preciso, porque, imediatamente, a senhora mais velha começou a dizer ao que vinham.
"Tenho o meu genro muito mal. Ao que diz a Equipa Médica, a vida dele está presa por minutos. Peço-lhe que vá junto a ele e lhe dê a Unção dos Doentes."
Da maneira como falava, depreendi que eram pessoas que sabiam do que estavam a falar.
"E a sua filha?"
"A minha filha está junto a ele; não o quer abandonar; ele está a sofrer muito."
Conversamos mais um pouco. Por fim, a senhora mais velha diz:
"Sabe? Eu e a minha filha somos muçulmanas. Mas o meu genro é católico praticante. Por isso lhe queremos dar o que ele desejava como católico que é."
Eu disse: "O nosso pai na fé, Abraão, é o nosso alicerce comum. E é baseados nesse alicerce que irmos rezar ao Pai da Misericórdia",
Dirigimo-nos ao quarto. Inicio a celebração da Unção. Convido todas à oração.
Deram-me espaço para eu rezar. Notei que iam acompanhando com o seu silêncio que quase o sentia a dizer "Ámen!".
Lanço-lhes o convite para que rezem segundo a sua tradição. Rezam. Com as suas palavras, com os seus gestos.
A pouco e pouco noto que o doente vai ganhando mais serenidade.
Gostei destes minutos e desta oração ao Pai Misericordioso.
Belo momento de vivência ecuménica, nem sei se assim posso dizer uma vez que Abraão é comum. Mas gostei de saber que houve respeito pelos valores que acreditam e Deus/misericórdia que é Pai de todos deve ter ficado feliz!
ResponderEliminarSão estes momentos que enchem a alma e dão sentido a Fé!
Isaura
Excelente
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