terça-feira, 3 de maio de 2016

A DOR DE UM FILHO (e minha)

Episódio de Urgência.
Uma mãe que agoniza. Um filho que, comovido, a afaga.
Um momento de oração.  Quase silenciosa.
A emoção é muita. Não há lugar para palavras. Há lugar para gestos, para olhares. Para trazer à memória  momentos, situações, vivências que marcaram, que ficaram na retina e, sobretudo, no coração. 
Tendo consciência de que o momento final está próximo, vêm as despedidas. A emoção redobra.
Eu, em silêncio, presencio.  Estou comovido, não consigo dizer palavra.

Admiro a postura do filho. Vejo os seus olhos marejados de lágrimas. Dou-lhe um abraço e deixo extravasar a minha própria dor: “Admiro-te. Obrigado pela tua dor e pela tua força. Eu não era capaz de ver a minha mãe neste estado. Admiro-te.”

1 comentário:

  1. Como sei quanto dói essa dor de perda, essa impotência perante o sofrimento e a expectativa do desenlace...
    Passei por isso em Setembro de 1992,tive de ganhar coragem e ir junto do Sacrário implorar ao Pai, que a acolhesse no seu colo.
    Estar consciente como esse filho esteve e estar presente nesse momento pode não parecer, mas é uma benção, para ele que foi capaz estar e com certeza para a mãe que viu o amor da sua vida ali, esperando e vivendo o adeus final.

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