Vou contar esta estória na primeira pessoa.
"Há uns dias, estando a jantar com a minha mãe, ela perguntou-me:
- Lembras-te daquela noite de Natal em que, na consoada, comemos sardinha assada?'
- Sim, lembro!
- E sabes porquê?
- Não, não sei.
- É que o teu pai tinha pago o salário aos empregados e ficámos sem dinheiro. Nem dinheiro tínhamos para comprar um bacalhau. Só tínhamos sardinha, que, na altura, era a comida habitual dos pobres. Quando estávamos a cear, chegaram a tua tia Ernestina e o teu tio Acácio; ficaram admirados por estarmos a comer sardinha e disseram: 'Credo! Comer sardinha numa noite de Natal?' Mas foi uma ceia tão feliz que, no fim, a tua tia disse: 'Nunca passei uma noite de Natal tão feliz como esta!'
E é verdade: foi a melhor noite de Natal que tive em muitos anos. Foram as melhores sardinhas que comi até hoje! O afecto que existiu foi o melhor prato com o melhor tempero que pôde haver. Esse afecto foi o melhor e único presente de Natal."

Como é bom recordar...
ResponderEliminarO amor e o cumprimento do dever fizeram jorrar a felicidade e o jantar de sardinhas virou um jantar gourmet.
Milagres da solidariedade e honestidade manifestados num aconchego de partilha familiar.