Há pessoas que marcam a nossa vida. E eu tenho sido um privilegiado a esse respeito.
Na minha passagem pela Beira Alta, fui agraciado por muitas pessoas de um coração do tamanho do Universo.
Eu vivia sozinho na casa paroquial; uma casa que foi construída pelo povo da freguesia; onde havia também um passal onde se cultivava o necessário da agricultura para o sustento da casa.
Esse passal era cultivado por um casal: o Ti Fernando e a Ti Prazeres; ele era reformado das fábricas de Canas de Senhorim, com a doença terrível que atingiu (e ainda atinge) muita gente. Este casal foram como que os meus pais durante quase os 9 anos que passei no Seixo da Beira e Ervedal da Beira. Estavam sempre presentes fosse para o que fosse.
De inverno, com as noites geladas pelo frio que vinha da Serra da Estrela, era agradável chegar a casa e encontrar a lareira acesa para aquecer um pouco antes de ir para a cama. Pois, chegasse eu a que horas da noite chegasse, o Ti Fernando lá estava à minha espera, com a lareira acesa. Eu entrava em casa e ele sentado à lareira. Colocava o boné na cabeça e dizia: "Boa noite, sr. Padre. Descanse bem. Até amanhã, se Deus quiser!". Duma fidelidade e entrega... que ainda hoje me emociono ao recordar. Sem esperar nada em troca.
A Ti Prazeres, logo pela manhã, entrava em casa, mesmo comigo ainda a descansar, e via se estava tudo pronto para o dia. Não saía sem eu dar sinais de vida, com medo que me tivesse acontecido alguma coisa.
Não consigo esquecê-los do tanto bem que me fizeram! E sei que Deus já os recompensou pelo muito cuidado que tiveram para comigo.
Sem comentários:
Enviar um comentário