sexta-feira, 29 de abril de 2016

D. EULÁLIA

Pediam-me para ir junto da D. Eulália. Ela tinha mostrado vontade de conversar.
Ao chegar, não foi necessária muita perspicácia para notar que a D. Eulália estava a sofrer muito. Pensei que a doença, que é grave, a estivesse a deixar nesse estado.
Desabafou. Contou mágoas. Contou a vida!
Sente-se abandonada. Enquanto teve forças, tudo fez pelos outros. Em vários grupos, sempre foi activa, dedicando-se aos que necessitavam.
Agora, agarrada a uma cama de Hospital, longe da sua casa e da sua terra, ninguém a pode vir visitar.
Há muitos anos que vive sozinha. Perdeu o marido e ficou a viver com as suas memórias.
Arranjou um pequeno cão que lhe fazia companhia.
Este cãozito era quem lhe ouvia os seus lamentos, participava das suas dores, era companhia na sua solidão.
Agora, é o que mais a faz sofrer: teve de entregar o cãozito a um canil. Paga para isso.
Tem saudades dele, dos seus mimos, da sua companhia. E sente que não o vai voltar a ver.
Para já, é este o maior sofrimento da D. Eulália.

1 comentário:

  1. Uma historia aparentemente simples mas com muito conteúdo, pois este tema solidão é uma realidade que merece muita reflexão.

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