"Padre, quero morrer!"
Foi assim que a D. Filomena me recebeu ao chegar ao seu quarto.
"Mas sei que ainda não vou morrer. Tenho duas filhas. Uma, vem visitar-me todos os dias; a outra anda zangada comigo e nunca me veio ver. Aliás, já não me vê há anos. Quero morrer, mas só depois de ver essa minha filha."
Digo: "Mas quer mesmo vê-la e falar com ela? Será que eu posso fazer alguma coisa? O que é que acha que eu poderei fazer?"
Responde: "Se tentasse contactar com ela, eu agradecia-lhe".
Procurei saber o número de telefone. Arrisquei.
"Boa tarde. Sou o... e desejava falar consigo."
"Já estou a ver ao que vem! Quer que eu vá visitar a minha mãe, não é?"
"Sim, é isso mesmo. A sua mãe está a sofrer muito e deseja vê-la."
"Pois, tenho a dizer-lhe que nunca a irei ver!"
"Muito bem, se é essa a sua opção, que hei-de eu fazer!? Mas, se me permite, amanhã voltarei a ligar-lhe."
"Pode ligar á vontade, mas já sabe qual a minha resposta."
No dia seguinte, pela manhã, voltei a ligar.
"Bom dia, sou o... "
"Olhe, quero dizer-lhe que hoje irei ver a minha mãe"
Tratei de tudo. Avisei a equipa.
À hora combinada, a filha chegou. Estávamos todos de sobreaviso e atentos ao que pudesse acontecer.
Passada uma meia hora, a filha saiu do quarto. Deixei passar mais um pouco de tempo e resolvi entrar no quarto da D. Filomena.
"Padre, estou bem. Estou feliz. Eu e a minha filha fizemos as pazes."
Conversámos durante uns 20 minutos. E, passado esse tempo, a D. Filomena morre em paz.
A sua missão é de louvar, porque em meio à dor existe a vontade conjunta com o dever de ajudar os que a si recorrem. É lindo fazer a vida dos outros mais linda!
ResponderEliminarEssa filha não vai esquecer-se nunca do episódio que precedeu a partida da mãe e especialmente o valor da paz!
Deus o ajude a continuar a ajudar, mesmo em momentos terminais, pois nada termina, tudo é um eterno recomeço e essa filha deve ter recomeçado...
Mais um maravilhoso testemunho de vida!
Obrigada.
Isaura
Senhor ajuda todos os que tentam ajudar as familias com problemas. Obrigada Parde Zé Antonio
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