De
inverno, as noites são longas. O frio aperta.
Não fosse uma lareira para aquecer o ambiente, e tudo parecia mais frio. Não fosse um cházito quente ou um vinhito com açúcar, aquecido numa púcara de barro em cima das brasas, e parecia que até o coração ficava gelado!
As nossas casas também não ofereciam grande conforto: granito, madeira, escuras por causa do fumo da lareira...
A idade e as maleitas também já não permitiam grandes conversas. Eu passava todos os dias, a várias horas, por aquela rua.
As casas eram todas térreas.
As portas sempre entreabertas.
As "velhotas" que até aí estavam a aproveitar a última réstia de sol, sentadas num banquito à soleira da porta, assim que o sol começava a ficar envergonhado, recolhiam logo para junto do lume, onde já tinham uma panelita de ferro junto às brasas.
Ali vivia-se ao mando do frio; ao mando do sol.
As pessoas mais antigas nem sempre tinham um televisor; quando muito lá tinham uma telefonia.
Cedo deixava de ver esta gente; o meu trabalho nocturno só me permitia vê-los(as) no outro dia de manhã.
"Bom dia, ti Luz!"
"Bom dia, vizinho!"
"Dormiu bem esta noite?"
"Olhe, nem por isso! A partir da meia noite não dormi mais"
"A sério? E já falou com o sr Doutor?"
"Eu bem tomo os comprimidos que ele me mandou. Mas é a mesma coisa que nada!"
"Peça-lhe para lhe dar uma dosesita maior"
Todos os dias era a mesma conversa.
Não havia dose que lhe desse mais sono. As queixas eram sempre as mesmas.
Depois de muitos diálogos semelhantes, resolvi disparar:
"Ouça lá, ti Luz! A que horas é que se costuma deitar?"
"Às 5 da tarde já eu estou na cama!"
"Claro. À meia noite já tem 7 horas dormidas. Ainda queria dormir mais?"
Algumas vezes, a partir das 5 da tarde, ia de propósito um bocadito até ao lume da ti Luz. Só para ela não acordar todas as noites à meia noite.
Não fosse uma lareira para aquecer o ambiente, e tudo parecia mais frio. Não fosse um cházito quente ou um vinhito com açúcar, aquecido numa púcara de barro em cima das brasas, e parecia que até o coração ficava gelado!
As nossas casas também não ofereciam grande conforto: granito, madeira, escuras por causa do fumo da lareira...
A idade e as maleitas também já não permitiam grandes conversas. Eu passava todos os dias, a várias horas, por aquela rua.
As casas eram todas térreas.
As portas sempre entreabertas.
As "velhotas" que até aí estavam a aproveitar a última réstia de sol, sentadas num banquito à soleira da porta, assim que o sol começava a ficar envergonhado, recolhiam logo para junto do lume, onde já tinham uma panelita de ferro junto às brasas.
Ali vivia-se ao mando do frio; ao mando do sol.
As pessoas mais antigas nem sempre tinham um televisor; quando muito lá tinham uma telefonia.
Cedo deixava de ver esta gente; o meu trabalho nocturno só me permitia vê-los(as) no outro dia de manhã.
"Bom dia, ti Luz!"
"Bom dia, vizinho!"
"Dormiu bem esta noite?"
"Olhe, nem por isso! A partir da meia noite não dormi mais"
"A sério? E já falou com o sr Doutor?"
"Eu bem tomo os comprimidos que ele me mandou. Mas é a mesma coisa que nada!"
"Peça-lhe para lhe dar uma dosesita maior"
Todos os dias era a mesma conversa.
Não havia dose que lhe desse mais sono. As queixas eram sempre as mesmas.
Depois de muitos diálogos semelhantes, resolvi disparar:
"Ouça lá, ti Luz! A que horas é que se costuma deitar?"
"Às 5 da tarde já eu estou na cama!"
"Claro. À meia noite já tem 7 horas dormidas. Ainda queria dormir mais?"
Algumas vezes, a partir das 5 da tarde, ia de propósito um bocadito até ao lume da ti Luz. Só para ela não acordar todas as noites à meia noite.
Pois... a solidão dos idosos :(
ResponderEliminarNesse tempo e eu também ainda sou desse tempo, não havia a energia eléctrica e só o candeeiro a petróleo iluminava a divisão e o dinheiro para comprá-lo também era escasso... havia que poupar...
Hoje as coisas estão muito mudadas mas só a Tv faz companhia a muitos...