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da manhã. Toca o meu telemóvel.
"O
Enfº... está pior; parece-nos que está próximo do último suspiro; quando ele vê
entrar uma bata branca no quarto, pergunta sempre se é o senhor; não daria para
vir cá?"
Eu
estava a 80 Km .
Decidi pôr-me a caminho.
Cheguei
ao seu quarto. A sua voz já quase não existia; no entanto, ainda que com
dificuldade, conseguia perceber-se alguma coisa. Ele mesmo tira a máscara do
oxigénio para se fazer ouvir melhor. Balbuceia algumas palavras, as quais tem
de repetir para eu perceber. Escutei e guardei. Pergunto se quer água.
"Que sim". Bebe com sofreguidão. Pergunto-lhe: "Quer, então
comungar?" Faz-me sinal que sim com a cabeça. Vou buscar a Comunhão.
Juntamente com a esposa, rezamos. "Senhor, queremos falar-te do ... ele
está muito mal; olha para o seu estado de sofrimento..." Estávamos os três
unidos em espírito, em sofrimento e também fisicamente: as nossas mãos estavam
entrelaçadas. Dou-lhe um pedacinho da partícula. Ele ajuda com a sua mão. Tento
dar-lhe água; já não tem forças para a sorver.
Depois
de ter recebido a Comunhão sob a forma de Viático (como que o
"Farnel" para a última viagem), só sou capaz de lhe dizer: "ao
partir, vamos ser acolhidos nos braços do Pai, onde seremos felizes para
sempre!"
Às
21 horas, cansado, deixou-se cair nos braços do Pai.
Neles, descansará para
sempre.
Que enternecedor final de vida!
ResponderEliminarQue bom ter anjos que ajudam a desligar e a suavizar o momento....
O Sr é um privilegiado, sei que traz sofrimento mas também momentos de graça como este.
Força e coragem para continuar a ajudar.