Saía eu do Hospital, afim de almoçar qualquer coisa.
Um homem, sentado num banco exterior, a olhar para o chão, mãos entre os joelhos.
Disse-lhe "bom dia!". Ele respondeu na mesma moeda.
Semblante pesado e triste. Não me atrevi a perguntar o que se passava. Mas não foi preciso perguntar. De um momento para o outro, começa a dizer:
"Estou mesmo triste. Tenho aqui internada a minha mulher. Não se encontra nada bem. Estou triste por ela. Mas não só. Tenho duas filhas. Eu e a minha mulher lutámos muito para lhes dar um curso superior. Eu andava toda a semana fora; muitas vezes, só passado um mês é que eu voltava a casa; a minha mulher trabalhava no campo. Aos fins de semana, quando eu vinha a casa, também ajudava no campo. Elas tiraram o seu curso, casaram, tiveram filhos. Fomos nós que as ajudámos a criar os filhos; ficávamos com eles para elas irem trabalhar... Agora, que precisamos delas, elas não aparecem. Ainda não vieram ver a mãe. Têm medo que, tendo ela alta, eu a leve para casa delas. Mas não! Sou eu que irei tratar dela. Mas é triste,. muito triste que elas não a venham visitar."
O que é que eu havia de dizer? Nada. Só escutei.
Um bom relato do que acontece por aí com alguma frequência.Parabéns por este teu trabalho, embora possa acontecer que as filhas nunca o leiam, mas lêem outras pessoas. Um abraço
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