Um
médico seu amigo pediu-me para a ir visitar; não sem antes me informar de que a
iria encontrar num "estado lastimável", praticamente em fase
terminal.
Dirigi-me à equipa de serviço e foi-me dito que a senhora se
encontrava numa "determinada sala" e que se encontrava muito mal, que
já não falava nem abria os olhos.
Fui até junto à cama e verifiquei que era
verdade o que me tinham dito.
No entanto, não deixei de tentar falar.
Peguei
numa das mãos e... passado algum tempo, a senhora abre os olhos e encara-me:
"Quem é o senhor?",
ouvi eu lá do fundo dela mesma."Eu
sou o padre do Hospital". "Ah, já sei: foi o meu compadre
Dr.... que lhe pediu para vir junto a mim!". "Sim, é verdade!"
Voltou a
fechar os olhos. Continuei a seu lado. Esperei mais algum tempo e por mais
algum gesto. Daí a pouco, voltei a ouvir: "Tenho sede!"
Fui perguntar se lhe
podia dar água; "quem sim!".
Junto à cama, dei-lhe um pouco de água
numa seringa.
Nunca vi ninguém a beber com tanta sofreguidão!
Depois,
disse-me:"Reze
comigo. E vou ver se posso receber a Comunhão". Rezámos,
dei-lhe um pedacinho da partícula. Fizemos silêncio.
Por fim, disse-me: "Obrigada. Tenho paz!".
No
dia seguinte, ela partiu para o Pai. Mas aquele "tenho
sede!" ainda ecoa dentro de mim.
Sem palavras...
ResponderEliminarEsse: tenho sede levou-me ao nosso mestre Jesus. E atrevo-me a dizer que a sede não seria só físiológica, ela tinha também outra sede...
Graças a Deus que foi a tempo dela receber o viático que a saciou...
Mais uma vez grata pelas maravilhosas partilhas de momentos tão ricos que nos fazem pensar...
Isaura