Deu entrada no Hospital numa situação muito grave.
Foi-me pedido que a visitasse e, assim que me foi possível, procurei escutá-la e prometi que a visitaria sempre que pudesse.
O seu estado era muito crítico.
Mas, passadas que foram umas três semanas, começou a melhorar bastante.
Antevia-se alta para breve.
A uma sexta-feira fui à enfermaria onde ela estava internada e sou contactado pelo médico que a assistia.
Disse-me: "Vai visitar a D. M...?"
"Sim, vou."
"Olhe, por favor tente ver o que se está a passar com ela. É que a informámos que ela iria ter alta na próxima 2ª feira e o que é verdade é que ela voltou ao estado em que se encontrava quando foi internada. Por favor, ajude-nos!"
Dirigi-me ao quarto. Sentei-me à beira da cama e começámos a conversar.
Da conversa não saía do que eu queria. Foi difícil. E fui-me embora sem conseguir o que queria.
Voltei no dia seguinte.
A conversa recomeçou. Passada uma meia hora e sem nada conseguir, resolvi perguntar:
"D. M... que se passa consigo? Deu entrada no Hospital num estado muito crítico, como sabe. No entanto melhorou e foi-lhe anunciado que ria ter alta. O que é verdade é que, a partir daí, voltou ao seu estado anterior! Que se passa? Que se passou?"
Resposta imediata:
"Olhe, tudo o que tenho está ali no cacife. Toda a minha roupa e nada mais. Quando eu ainda estava mal, veio visitar-me uma colega que vivia comigo no mesmo quarto. Sem eu ter muita consciência, levou-me a assinar um cheque, o que causou que ela levantasse o pouco dinheiro que eu tinha no Banco. Para onde é que eu vou? Não tenho dinheiro para alugar um quarto. Só tenho três ou quatro peças de roupa. Para onde é que eu vou? Fazer o quê? Ao menos, aqui, tenho cama, mesa e roupa lavada!"
"É isso que a preocupa?"
"Sim, e não é pouco! É tudo o que sinto e que me dá para estar como estou!"
"Deixe isso connosco!"
Com o Serviço Social do Hospital começámos a tratar dum quarto para a D. M... e de um pequeno subsídio que lhe daria para ir sobrevivendo.
Assim que a D. M... tomou consciência do que estávamos a fazer por ela, as melhoras foram voltando a ser o que eram quando o médico lhe anunciou a alta.
Passados 8 dias, a D. M... teve alta para o seu novo quarto, com a roupa necessária, e algum dinheiro para gastar.
A cura da D. M... estava dependente não só de medicamentos, mas também da sua situação social.
Infelizmente esse é o mal de mts, não terem para onde ir , não ter o devido amparo de familiares; Mt triste!!
ResponderEliminarÉ triste existirem estes casos e outros ainda piores!.... E não de agora porque quando tínhamos internamentos na Lousã, aconteciam casos idênticos. A pobreza era ainda pior que hoje.Enfim !... É nestes momentos que me sinto uma gota de água no oceano.
ResponderEliminarMais um caso triste, muito triste :(
ResponderEliminarA nossa sociedade está muito doente mas infelizmente para esta não hospitais, nem serviços sociais nem nada que possa valer :(
Ela a D.M. com a graça de Deus e ajuda de pessoas honestas e moralmente bem resolvidas resolveram a situação, mas curar esta sociedade tão desprovida de valores morais é muitoooo difícil.
Deus vos continue a ajudar.... sempre