Está
à minha frente. Todos os dias me (nos) vem visitar. Logo pela manhã, ainda
antes do pequeno almoço. Pede licença para entrar e senta-se numa das cadeiras
vazias. Tem um 'refrão' que lhe é habitual: "Hoje vão matar-me!". Há
mais de uma semana 'proibi-lhe' de repetir esse 'refrão'. E ele tem cumprido.
Pois se todos aqui lhe querem bem, como é que o iriam matar? É extremamente
inteligente; demais, até. Sabe história, geografia; canta bem e até é capaz de
fazer letras para canções. É simpatiquíssimo, podemos dizer que é um gentleman!
Gosta muito de bolachas e de oferecer revistas às senhoras. Vai à pressa tomar
o pequeno almoço e volta de novo para junto de nós; às vezes ainda vem a comer.
Ontem,
ao contrário do que acontece normalmente, só chegou ao meu gabinete pelas 10 da
manhã. A essa hora eu já estava com algum apetite. Busquei umas bolachas que lá
tinha e também lhe ofereci. Comemos os dois até as acabar. O pacote ficou
vazio. Ele ofereceu-se logo para o ir colocar no lixo. Eu disse: "deixa
lá, que eu coloco". Ele ficou triste. Errei. Não soube aproveitar a
disponibilidade do Manuel. Pedi-lhe desculpa. E continuámos amigos.
A ternura dos pequenos gestos !.... ah se o mundo tivesse mais gestos destes !.... Paz e bem !....
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