terça-feira, 28 de junho de 2016

RESPEITO PELO CAMINHAR DO PAULO

Há uns 8 meses que não o via. Conheci-o quando teve um internamento relativamente prolongado.
As desadaptações à sociedade, à família, à escola e ao afecto, trouxeram-no até aqui.
Conversámos bastantes vezes. Ele procurava um sentido para a vida; procurava que o deixassem ser feliz tal como é; queria encontrar-se consigo mesmo, queria aprender a gostar de si, da sua maneira de ser e de agir. Mas queria que os outros também aprendessem a gostar dele.
Agora faltam-lhe duas cadeiras para terminar o curso.
E diz-me: "Nesta cidade não foi só um curso que tirei: tirei muitos cursos! Guardo dela boas recordações. Mas não consigo cá viver mais. O ambiente é muito mesquinho".
Há todo um mundo que se lhe apresenta pela frente. O da procura de emprego, o de viver numa cidade grande "onde ninguém se conhece" (como ele dizia), o de procurar um grupo onde se sinta acolhido e aceite como é ("sei que há um grupo numa igreja em Lisboa..."), o de encontrar ou de se deixar encontrar por alguém que o ame e a quem ele ame...
Mas valeu a pena saber que já há 8 meses "se sente bem", sem caídas de descompensação afectiva e psíquica. Apesar de ser importante ele saber (como me dizia) que "a vida é composta de altos e baixos".

Deixa que eu fique aqui... imaginando o caminho que segues e dizendo bem no meu íntimo: "Deus te guie e te acompanhe, Paulo!"
E, como disse ontem o Papa Francisco, "não basta a Igreja pedir desculpas a estas pessoas: é preciso pedir-lhes perdão!"

1 comentário:

  1. Que consigamos aceitar e ajudar todas as pessoas. Mais uma vez obrigada por toda a AJUDA QUE DÁ AO PROXIMO

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