Há
dias complicados (e são muitos) em todos os Serviços desta Casa.
Quem está de
fora não se apercebe da azáfama que vai por aqui.
Hoje
foi um "dia para esquecer" num ou noutro Serviço que visitei.
Fui
para ir atender alguém que, entretanto, já tinha tido alta.
Mas,
como quase sempre, não deixei de ir visitar a Equipa de Enfermagem. Eram 15 h.;
enquanto uns estavam a começar a almoçar, outros ainda andavam numa lufa-lufa
total.
Conversámos
sobre as dificuldades, sobre a falta de Pessoal, sobre o "peso" do
trabalho.
Saio;
despeço-me com um "até logo e descansem agora um bocadinho!"
No
corredor, ouço chorar; um choro que se via ser bem sentido.
Peço
licença para entrar no quarto.
Uma
jovem que se contorcia com dores.
"Não
aguento tanta dor; estou desesperada"
Procuro
acalmar tanto quanto sou capaz.
"Ainda
não chamou ninguém para lhe vir dar um analgésico?"
"Não.
Eles e elas estão fartos de trabalhar. Não têm tido mãos a medir. Ainda nem
começaram a comer. Não tenho coragem de os chamar"
Mas
os olhos desta jovem imploravam ajuda; de tal maneira era um olhar suplicante
que eu me sentia incomodado a olhá-la.
Chamei
o Enfermeiro. Deu-lhe uma injecção.
Passados
5 minutos, o estado de espírito da jovem já era outro.
"Agora
já posso fechar os olhos e descansar um pouco. Obrigada"
Fiquei
feliz: a doente, aliviada da dor, já podia descansar; o Enfermeiro, aliviado do
trabalho, já podia ir almoçar.
É mesmo assim o dia a dia dos profissionais de Saúde onde trabalhei durante 42 anos. Quantas historias gravo na memória, umas realmente muito parecidas com a que relatou hoje. Ás vezes incompreendidos pelos utentes, outras vezes acarinhados. De tudo um pouco ! .... Eu sou das que defendo os profissionais de saúde. Que Deus os ajude na sua nobre Missão.
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