sábado, 18 de junho de 2016

LÁGRIMAS SUPLICANTES DE ALÍVIO

Há dias complicados (e são muitos) em todos os Serviços desta Casa. 
Quem está de fora não se apercebe da azáfama que vai por aqui.
Hoje foi um "dia para esquecer" num ou noutro Serviço que visitei.
Fui para ir atender alguém que, entretanto, já tinha tido alta.
Mas, como quase sempre, não deixei de ir visitar a Equipa de Enfermagem. Eram 15 h.; enquanto uns estavam a começar a almoçar, outros ainda andavam numa lufa-lufa total.
Conversámos sobre as dificuldades, sobre a falta de Pessoal, sobre o "peso" do trabalho.
Saio; despeço-me com um "até logo e descansem agora um bocadinho!"
No corredor, ouço chorar; um choro que se via ser bem sentido.
Peço licença para entrar no quarto.
Uma jovem que se contorcia com dores.
"Não aguento tanta dor; estou desesperada"
Procuro acalmar tanto quanto sou capaz.
"Ainda não chamou ninguém para lhe vir dar um analgésico?"
"Não. Eles e elas estão fartos de trabalhar. Não têm tido mãos a medir. Ainda nem começaram a comer. Não tenho coragem de os chamar"
Mas os olhos desta jovem imploravam ajuda; de tal maneira era um olhar suplicante que eu me sentia incomodado a olhá-la.
Chamei o Enfermeiro. Deu-lhe uma injecção.
Passados 5 minutos, o estado de espírito da jovem já era outro.
"Agora já posso fechar os olhos e descansar um pouco. Obrigada"

Fiquei feliz: a doente, aliviada da dor, já podia descansar; o Enfermeiro, aliviado do trabalho, já podia ir almoçar.

1 comentário:

  1. É mesmo assim o dia a dia dos profissionais de Saúde onde trabalhei durante 42 anos. Quantas historias gravo na memória, umas realmente muito parecidas com a que relatou hoje. Ás vezes incompreendidos pelos utentes, outras vezes acarinhados. De tudo um pouco ! .... Eu sou das que defendo os profissionais de saúde. Que Deus os ajude na sua nobre Missão.

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