Há
momentos na vida que nos deixam sem palavras. Há situações que nos fazem sofrer
mais que outras.
Esta coisa da nossa sensibilidade é bastante complicada. Será
ela selectiva? Não sei se será assim com toda a gente... mas talvez seja: o
barro de que somos feitos não é muito diferente duns para os outros!
Ainda
não tem 30 anos: uns vinte e poucos.
Alguém me ligou a pedir para o acompanhar.
Foi-lhe diagnosticada uma doença grave.
Tinha casado há pouco tempo.
Da
primeira vez que o visitei, encontrei-o cheio de esperança e de coragem. Sempre
que a sua jovem esposa pode, lá está ela ao lado dele. E ajuda-o bastante: ela
é enfermeira.
Mas a ajuda vem, sobretudo, porque ela o ama. O conhecimento de
causa devido à sua profissão e o amor fazem um bom conjunto!
Ontem
de manhã fui visitá-lo novamente.
Achei-o muito abatido, desiludido e chorava:
"Há um mês que me encontro aqui e começo a entrar em parafuso; aborreço a
comida sempre igual; tenho dores horríveis no pescoço; mas, sobretudo, tenho
saudades da minha mãe que também está internada depois dum AVC: já não a vejo
desde que aqui estou."
Ele estava sozinho e pude escutar os seus
queixumes.
Que lhe ia eu dizer? Procurei escutar, escutar, escutar.
De tarde,
passei novamente por lá; e lá estava a esposa. Também notei que não estava
muito animada.
Tantos
sonhos os uniram!
Será
que estes sonhos irão todos por água abaixo?
Não
quero acreditar.
Caríssimo : os seus testemunhos são vivos e ajudam-nos a olhar mais para os outros e levar com mais coragem os nossos próprios problemas, que vão sendo alguns, também. Que Deus o ajude e dê coragem nesse seu serviço Fr. Leal
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