A
idade, há muito que não lhe permite grandes correrias. Há bastante tempo que
anda com uma bengala que a ajuda a caminhar. Ultimamente tem piorado bastante;
sobretudo depois da morte do marido. A saudade que tinha, era bastante. Uma
saudade que lhe tolhia os movimentos e, de maneira especial, a alma. O
semblante sempre carregado. Mas não desistia de procurar algo. Às vezes
queixava-se de ainda não ter encontrado a 'paz'. Mas lá ia caminhando. E a
bengala sempre a acompanhava.
No
domingo passado vejo-a vir ao longe. Vinha para a Missa. Dirijo-me a ela para a
acompanhar no resto do caminho. Falamos de algumas trivialidades. Noto que
vinha sem bengala. Mas não lhe digo nada. Eis senão quando ela me diz:
"Ainda não reparou que venho sem bengala?" Faço-me estupefacto:
"Olha, pois vem! Mas o que é que se passou?" Responde-me:
"Iniciei um tratamento novo; ainda só fiz uma sessão, mas já está a dar
resultado". Ela caminhava razoavelmente bem.
A
Missa decorre. No momento da Comunhão, na fila, uma senhora caminha com
dificuldade. E quem eu vejo a acompanhá-la? A "ex-senhora da
bengala". Ajudava-a com todo o entusiasmo e carinho. Foi levá-la ao lugar.
No
fim de Missa, publicamente fiz menção deste caso (mas sem nomear fosse quem
fosse; só os conhecidos ficaram a saber de quem se tratava; até porque também
estavam todos contentes).
Quando
a "ex-senhora da bengala" ia a sair a capela, disse-me: "Quando
eu melhorar mais um bocado, até se vai admirar daquilo que eu serei capaz de
fazer!".
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