Vinha
a tremer. Trazia uma pequena bolsa com 2 comprimidos. Deu-mos para a mão. Li o
nome químico deles. Era um retroviral.
Há
muito que não via ninguém assim. Naquele estado. Psíquica e espiritualmente
destruído.
Tem
medo. Medo de iniciar o tratamento. Medo do que pode vir depois.
Medo de tudo.
Contou-me
a história de há uns anos.
Fiquei
com o coração angustiado e a doer. Faltaram-me as palavras. Eu não lhe
conseguia tirar o sofrimento.
E
eu continuava com os comprimidos na mão. Estávamos os dois sentados frente a
frente. No fim de algum tempo a fitar aqueles olhos suplicantes, fez-me um
pedido:
"Abençoe-me
esses comprimidos. São os primeiros que vou tomar neste início do
tratamento."
Que
eles e sobretudo ele sejam abençoados.
Demos
um abraço. Prometeu voltar.
Mas
eu ainda não me sinto bem. Aquele olhar ainda está a provocar-me. A fazer doer
cá por dentro.
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