Tem
30 anos. A esposa pediu para o visitar. Mas avisou-me que a ele lhe era muito
difícil falar: o estado da doença já é muito avançado.
Entretanto,
foi-me contando a história destes 3 últimos anos da vida do marido.
Há
3 anos, à primeira esposa dele foi-lhe detectado um melanoma. A doença avançou
de tal maneira que, passado um ano, faleceu.
Aliviado
o choque, ele tentou refazer a sua vida.
"Começámos
a namorar. Tinha a esposa falecido há pouco mais de um ano. De um momento para
o outro, também nele foi declarado um melanoma. Casámos há 15 dias. Quisemos
que o nosso amor fosse selado pelo casamento. Está agora, aqui, internado e em fase
terminal. Já quase não percebemos o que ele diz. Passe por lá. Eu já lhe disse
que lhe vinha pedir que o visitasse. Hoje de manhã, muito a custo, ele
perguntou-me: 'o padre não vem cá?'. Por favor, passe junto a ele quanto mais
não seja para ele o ver"
Preparei-me;
interior e exteriormente.
Conversei
um pouco com a família que estava reunida no quarto.
Passado
algum tempo, pedi para todos saírem e me deixarem sozinho com o Anselmo.
Tentei
conversar. Mas que palavras podia eu ter? Há momentos em que as palavras estão
a mais. Aquele momento era um deles. O Anselmo tinha muita dificuldade em
respirar. Cansado e cheio de dores. Tentou dizer-me algumas palavras (poucas),
mas isso ainda o cansava muito mais. Olhava para mim como que a dizer 'não sou
capaz!'. Com a mão direita dele pede-me a minha mão. As nossas mãos conversaram
muito uma com a outra; quase se ouvia o que elas diziam com todo o silêncio que
estava no quarto.
Passados
alguns minutos, o Anselmo adormeceu com a mão dele bem agarrada à minha.
Aproveitei
o seu sono para rezar um pouco. A mão dele dava-me mais força para rezar. Como
que a minha oração foi uma "canção de embalar".
Quanta
força tinha a mão do Anselmo! E
quanto eu aprendi dele!
Sem palavras!
ResponderEliminarQue posso eu dizer desse silêncio sofrido desse gesto apaziguador?
Só isto: Deus seja louvado por tanto amor derramado no meio de tanta dor...