Uma
jovem de 20 anos. Com uma intervenção cirúrgica de há alguns dias. Hora de
almoço. O refeitório onde se encontram as doentes que podem anda de pé. Pratos
cheios de comida; vi-as comer com gosto e apetite. Olho para a Andreia e vejo
uma pequena malga cheia de água de arroz. O meu olhar é interrogativo. Ela
responde: "Nem imagina o quanto me está a saber bem esta aguita de arroz: há nove dias que não como nada.
É a minha primeira refeição. Como
é boa
esta água de lavar o arroz!"
Rapaz
de 26 anos. Com um passado complicado em muitos aspectos. Há meses teve um AVC
hemorrágico. Deixou de andar e de falar. Quatro meses internado. Como melhorou,
teve alta. Mas, passados alguns dias ingressou no hospital. A terra dele fica a
centenas de quilómetros (tem de se atravessar o mar). O seu passado não o deixa
ter autonomia. Há um mês que está internado. Já anda e já se começa a perceber
alguma coisa do que diz. Muitas vezes me pediu um cigarrito e uma moeda.
Simples, humilde e pobre, muito pobre. Hoje chegou o dia de voltar a casa... Os
bombeiros vieram buscá-lo para o levar ao aeroporto. Alguns dos seus colegas de
internamento ( e de 'experiência de vida' !) vieram despedir-se dele. E, cada um por si, com ele
partilharam uns
cigarritos para a viagem.
Li e meditei em cada uma das historias de vida destas três Almas sofredoras. Desta vez ficam para mim ... e para si, o meu muito obrigada por mas ter dado a conhecer. Que Deus o ajude a si e a estes doentes e tantos outros que diariamente passam pelas suas mãos !!!!
ResponderEliminarTrês relatos de excertos de vidas sofredoras e conscientes do valor das pequenas/grandes coisas...
ResponderEliminarUma água de arroz
Uns cigarritos...
Uma declaração de amor...
Coisas que de tão comuns parecem não tere valor e quanto valor têm para cada uma dessasalmas!
Obrigada por me dar a conhecer esses testemunhos. É bom meditar e dar o verdadeiro valor aquilo que temos.
Isaura