Uma
vida passada no estrangeiro: como emigrantes. Muito trabalho, poucas férias.
Dois filhos. Lá os foram educando conforme o tempo e as possibilidades o
permitiam. Chegado o tempo da reforma, o casal volta para a sua terra. Os
filhos ficaram no país que os viu nascer e crescer.
Vêm
a pensar gozar a reforma o melhor possível. Tinham o direito a isso. No
entanto, sempre com uma vida regrada.
Mas...
uma doença grave coloca a mulher de cama, donde nunca mais sairá. Um tumor a
invade por completo de um momento para o outro. Os filhos são avisados: vêm cá
passar uma semana.
A
médica diz que a senhora está a necessitar de muito afecto e espera que os
filhos lhe tragam o afecto necessário.
Primeira
tarde de visita: chegam, dizem "boa tarde" e encostam-se à parede do
quarto. Olham constantemente para o relógio. Passado 1/4 de hora dizem que têm
de ir embora. "Mas ainda agora chegaram e já se vão embora!?!?", diz
o pai. Eles replicaram: "Já te tínhamos dito que iríamos estar pouco
tempo: temos de ir ver o jogo de Portugal!"
A
noite é toda passada no jardim da casa a beber cerveja... a comemorar. Os
vizinhos nem querem acreditar!
Durante
os dias de estadia, o pai nunca é convidado para tomar seja que refeição for
com eles. Retiraram todo o ouro que a mãe possuía. E lembram o pai de que era
preciso dividir o dinheiro.
E
lá partiu esta mãe, carente do afecto dos filhos.
E
lá partiram eles com os bolsos cheios. Até sempre!
Dizer o quê perante tanta injustiça, tanto desafecto, tanto desamor???
ResponderEliminarQue Deus perdoe aqueles filhos, lhe mostre a verdade e que tenham a coragem de em pensamento dirigir-se à mãe e lhe peçam perdão. Embora a mim me custe a aceitar uma atitude destas a mãe, porque é mãe, terá aonde estiver outra visão...