Uma
senhora que vem ter comigo, destroçada: sempre foi tida como 'não prestando para nada' quer
na família, quer no trabalho; sente-se espezinhada e injustiçada; não teve nem
tem ninguém que lhe diga 'aqui estou', ninguém que lhe diga 'gosto de ti'; o
seu momento de maior sofrimento foi quando lhe morreu a 'minha cadelinha':
"era a única que me dava afecto e que me compreendia".
Outra
que se sente muito feliz por tudo o que a vida lhe tem proporcionado, mas que
agora só pensa na morte: tem um tumor ósseo que, diz ela, lhe "irá tirar a
vida dentro de pouco tempo"; "ainda bem que não tenho filhos: o meu
sofrimento seria maior; mas custa-me deixar o marido, os pais e a irmã".
Um
casal com uma filha de 22 anos, internada na Medicina Intensiva: um acidente
quase lhe tirava a vida; está inconsciente; ainda não a puderam ver; estão
ansiosos pelo momento do encontro: "não sabemos como a iremos encontrar;
ainda não caímos na realidade e temos muitas dúvidas; não quero perder a fé - dizia
a mãe - mas tudo isto está a ser muito difícil!"
No
Hospital de Dia, alguém se queixa de sempre ter feito os exames de rotina e
"nunca ter aparecido nada"; por alguma incúria - diz - só passado
algum tempo lhe foi diagnosticado um tumor no colo do útero; "não acredito
no que se está a passar comigo; sei que, mais tarde ou mais cedo, vou morrer;
estou a procurar habituar-me à ideia".
É melhor acabar por aqui. Aguenta coração!
Pois...
ResponderEliminarÉ mesmo para dizer: "aguenta coração".
Muito drama, muita dor junta...