sexta-feira, 16 de setembro de 2016

ÀS VEZES HÁ DIAS ASSIM...

Uma senhora que vem ter comigo, destroçada: sempre foi tida como 'não prestando para nada' quer na família, quer no trabalho; sente-se espezinhada e injustiçada; não teve nem tem ninguém que lhe diga 'aqui estou', ninguém que lhe diga 'gosto de ti'; o seu momento de maior sofrimento foi quando lhe morreu a 'minha cadelinha': "era a única que me dava afecto e que me compreendia".

Outra que se sente muito feliz por tudo o que a vida lhe tem proporcionado, mas que agora só pensa na morte: tem um tumor ósseo que, diz ela, lhe "irá tirar a vida dentro de pouco tempo"; "ainda bem que não tenho filhos: o meu sofrimento seria maior; mas custa-me deixar o marido, os pais e a irmã".

Um casal com uma filha de 22 anos, internada na Medicina Intensiva: um acidente quase lhe tirava a vida; está inconsciente; ainda não a puderam ver; estão ansiosos pelo momento do encontro: "não sabemos como a iremos encontrar; ainda não caímos na realidade e temos muitas dúvidas; não quero perder a fé - dizia a mãe - mas tudo isto está a ser muito difícil!"


No Hospital de Dia, alguém se queixa de sempre ter feito os exames de rotina e "nunca ter aparecido nada"; por alguma incúria - diz - só passado algum tempo lhe foi diagnosticado um tumor no colo do útero; "não acredito no que se está a passar comigo; sei que, mais tarde ou mais cedo, vou morrer; estou a procurar habituar-me à ideia".

É melhor acabar por aqui. Aguenta coração!

1 comentário:

  1. Pois...
    É mesmo para dizer: "aguenta coração".
    Muito drama, muita dor junta...

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