Várias
causas contribuíram para o seu internamento.
Uma vida de amargura, de solidão.
O seu corpo é o seu instrumento de trabalho e o seu ganha-pão.
No intervalo de
cada cliente, e com o dinheiro adquirido, lá se ia injectar; para esquecer? Não
importa por agora.
Dois filhos já lhe foram 'tirados'.
A família desprezou-a
por completo.
Agora,
deitada numa cama, não tem consciência do local onde se encontra e muito menos
do seu estado de saúde. Tem por perto os profissionais de saúde. Uma religiosa
vem visitá-la. Conhece-a 'da rua'.
Também vem uma colega da rua e um cliente.
Estas são as suas amizades sinceras. Vêm mesmo sem ela ter consciência de que
vêm.
E choram. Amizade sincera. Esta é a sua família.

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