Uma
nova visita ao Hospital de Dia.
Quimioterapia.
A sala ainda não estava completamente
cheia. A hora também ainda não o permitia: era cedo. Começo por conversar com
um doente que se sentia bastante agoniado. Falámos um pouco do seu estado
geral. Um ponto me chamou a atenção: tem uma família extraordinária que o apoia
incondicionalmente neste caminho longo e duro.
Vou
ter com uma senhora. Tem uma filha junto a si, a acompanhar o tratamento.
Começamos a entabular conversa pelo local da sua residência. Descubro que é
vizinha da terra dos meus pais. Isso foi motivo para que houvesse mais empatia
entre nós. Falámos de tudo: das nossas terras, das tradições que tínhamos
vivido, das romarias a S. Filipe Neutel, das Festas (mais concretamente da
festa do Senhor dos Aflitos), das fogaças... tudo foi objecto da nossa
recordação e do nosso interesse. Ma eu procurava saber, sobretudo, do seu
estado de espírito. Descobri algo que me encantou:
"Sou
pescadora. Sou capaz de andar 500 e tal quilómetros só para pescar num rio ou numa albufeira. É
um passatempo que me fascina. A natureza, a ansiedade de ver o peixe a 'picar',
os almoços, as companhias... É o que me tem valido! Olhe, até parece que sinto
Deus neste passatempo: o contacto com a natureza e a amizade ajudam a me
aproximar mais de Deus e a enfrentar a minha doença..."
E,
então, recordámos o peixe do rio que algumas mulheres da nossa zona ainda
continuam a teimar fritar nas festas de Verão; o melhor tempero deste peixe
frito é o pó que anda no ar naquelas tardes de Verão.
Nunca
tinha encontrado uma mulher pescadora.
Mas
que garra tem esta mulher! É o que lhe vale na situação em que se encontra!
Boa noite, a minha avó era devota de S. Filipe Neutel, procuro o local e data da romaria a este Santo. Por acaso pode ajudar-me, gostaria de lá voltar desta vez com as minhas filhas.
ResponderEliminarCumprimentos,
Susana
Bom dia, D. Susana. Espero poder satisfazer o seu pedido dentro de algum tempo
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