Conversava
eu com uma doente, no corredor, quando passa por nós uma outra doente com o
carrinho do soro e dos antibióticos, o qual ela conduzia muito bem.
E vinha a cantar! Intrigou-me o ela vir a cantar. É que nunca antes tinha visto outra pessoa, internada, a cantar pelo corredor fora. A doente com quem eu estava a falar, disse-me que ela, logo de manhã, canta.
Então, meti-me com ela:
"A cantar?"
"Sim, gosto muito de cantar. Sabe? Não posso comer por causa da intervenção que tive. E já começo a sentir fome. Para esquecer a fome que começa a aparecer, canto. E, por causa de eu gostar de cantar e, talvez cantar um bocadito bem, já arranjei alguns serviços que me ajudaram a ganhar a vida. Por exemplo, o tratar de doentes idosos acamados e acompanhá-los durante a noite... Na vida, tenho levado tudo a cantar. Não há necessidade de estar triste: isso iria aumentar o sofrimento."
Falta-me dizer que não consegui colocar aqui, na escrita, o sotaque desta doente: é que ela é brasileira; da Baía.
Tem 49 anos, 7 filhos. Veio para Portugal há 2 anos para lutar pela vida. À aventura.
"E não quero ficar por aqui... quero ir mais longe!"
A cantar!...
E vinha a cantar! Intrigou-me o ela vir a cantar. É que nunca antes tinha visto outra pessoa, internada, a cantar pelo corredor fora. A doente com quem eu estava a falar, disse-me que ela, logo de manhã, canta.
Então, meti-me com ela:
"A cantar?"
"Sim, gosto muito de cantar. Sabe? Não posso comer por causa da intervenção que tive. E já começo a sentir fome. Para esquecer a fome que começa a aparecer, canto. E, por causa de eu gostar de cantar e, talvez cantar um bocadito bem, já arranjei alguns serviços que me ajudaram a ganhar a vida. Por exemplo, o tratar de doentes idosos acamados e acompanhá-los durante a noite... Na vida, tenho levado tudo a cantar. Não há necessidade de estar triste: isso iria aumentar o sofrimento."
Falta-me dizer que não consegui colocar aqui, na escrita, o sotaque desta doente: é que ela é brasileira; da Baía.
Tem 49 anos, 7 filhos. Veio para Portugal há 2 anos para lutar pela vida. À aventura.
"E não quero ficar por aqui... quero ir mais longe!"
A cantar!...
Realmente cantar faz muito bem ... eu quando não posso cantar por doença, falta de ar, dou comigo a cantar em pensamento. É o que me tem valido !.... Espero poder cantar na outra vida!... Desculpe o meu desabafo aqui, mas acredito que também posso contribuir para as melhoras dos seus doentes, seguidores deste blogue. Beijinhos.
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