Conhecemo-nos há muito. Mas há pouco mais de um ano que não
conversávamos.
Teve um problema grande de saúde. Depois duma intervenção cirúrgica teve de
fazer quimioterapia e radioterapia. Felizmente parece que o pior já foi
ultrapassado.
Há dias encontrámo-nos.
"Então, como é que isso vai? A saúde?"
"A nível de saúde física tudo vai correndo normalmente. É claro que as
minhas capacidades físicas nunca mais foram as mesmas. Não é que esteja
totalmente diminuído, mas... Tive um casamento de vinte e tal anos. Passado
algum tempo da minha intervenção, começaram os problemas em minha casa. Eu sei
que não podia corresponder totalmente às expectativas da minha mulher em
relação a mim: a doença e os tratamentos deixaram marcas. Ela acabou por pedir
a separação e eu não ofereci resistência. Divorciámo-nos. Encontrei-me sozinho.
Vazio. Foi o segundo grande terramoto da minha vida depois da doença."
"E agora? A nível de serenidade, de auto-estima, como vão as coisas?"
"Olhe, há um ano encontrei alguém que me está a aceitar como eu sou e como
eu me encontro. Temos um bom relacionamento."
Eu ia ouvindo. Mas notava que havia nele alguma coisa que eu não estava a ser
capaz de atingir.
"Apesar de me sentir bem, há uma coisa que me está a fazer sofrer. Falta-me
a força da Comunhão. E eu preciso tanto dela. As leis da Igreja dizem que não
posso receber a Comunhão por estar casado civilmente. Porque é que eu não posso
comungar?"
Conversámos durante algum tempo. Encontrámos uma solução para o problema: um
momento alto de oração e recebeu a Comunhão.
Mas como é que é possível que este homem, abandonado pela mulher por causa das
suas menores capacidades físicas e, depois de ter encontrado alguém que lhe dá
o carinho de que ele necessita, seja também abandonado pela Igreja?
A Igreja tem vindo a evoluir para melhor mas ainda não chegou aonde tem que chegar como faria Jesus Cristo!.... Acaso Jesus ia rejeitar este filho de Deus ? .... Nem a ele nem a ninguém Jesus rejeita. Por isso a Igreja que reveja as Suas leis, ainda há que rever muito coisa. Bem Haja Padre por nos abrir esta porta para também nós simples leigos, nos póssamos manifestar.
ResponderEliminarInfelizmente sabemos que a Igreja ainda tem um longo caminho a percorrer nas relações e amor ao próximo.
ResponderEliminarComo é possível negar este afecto "Comunhão" a um ser duplamente rejeitado. Afinal para quem veio o mestre Jesus?
Obrigada pela partilha e por mais este "abre olhos"!
Bjo