Uma
visita a uma das Ginecologias.
Quatro
senhoras na sala de visitas. Uma delas em cadeira de rodas. Conversámos sobre
'trivialidades' (às vezes,
as 'trivialidades' são o trampolim para outras conversas mais sérias!).
Conversa daqui, conversa dacolá, começam a falar dos maridos, da vida em
casal... (no fundo,
todas diziam bem da vida em
casal; nem sempre, neste serviço de Ginecologia, se ouve dizer bem da vida em casal e dos maridos - elas
lá sabem porquê!).
Três
das senhoras ainda não me conheciam; só a senhora da cadeira de rodas é que me
conhecia. Uma delas lança-me uma pergunta como que num relâmpago:
"E
o sr. não diz nada do seu casamento?"
"Eu
não sou casado. E as mulheres são um pouco 'chatas'. Não deixam que os homens
vão para onde querem. Por isso é que não me casei!!!" (apeteceu-me brincar)
"Isso
não é verdade. E, no casamento, os dois têm de ir sempre para o mesmo lado. Mas
não tem nem uma mulher com quem viva a sua vida?
"Não,
não tenho".
"Não
acredito. Não é possível"
"É
verdade. Eu sou padre"
"Maroto!
Estava aqui a dar-nos baile! E essa marota que está aí não dizia nada!"
Todos
nos rimos.
A
senhora que estava na cadeira de rodas meteu palavra:
"Sim,
é verdade. Sou a única que o conheço. Mas, já agora, deixem que eu diga o que
sinto dentro de mim. Sou casada há 43 anos. Sinto-me feliz por isso. Hoje,
daria exactamente o mesmo passo. Estou internada há 5 meses e, até hoje, o meu
marido ainda nunca falhou um dia em me visitar: todos os dias cá tem vindo.
Olhe, ainda guardo, na minha mesa de cabeceira, a flor que ele me trouxe no dia
dos namorados. E guardo no meu coração as lágrimas que lhe vi quando me
ofereceu a flor. Eu amo-o muito. E tenho a certeza que ele também me ama".
Que belo relato!
ResponderEliminarEu também tenho os últimos botões de rosa que o Jorge me ofereceu. Guardo também uma concha que ele me ofereceu em 1969 e só começámos a namorar em 1970...
O amor é lindo e muitas vezes regado com lágrimas sim, mas é um "amor maior", maior que a dor e que a esperança...
Ainda bem que encontra no meio da dor alguém que sabe falar de amor.
Uma história deliciosa onde aquele dialogo com as sras me fez rir apesar de ainda hoje não ter tido vontade para tal ... ( coisa de mulher chata ! rsrsrs ... Nada disso, penso eu !... Até penso merecia ter sido presenteada por uma rosa no dia dos namorados, mas isso é só para quem merece e essa sra. da cadeira de rodas deve merecer muito. Agora deve precisar é de ter um pouco mais de saúde. As melhoras para ela e para si, que continue assim ... como é. Que Deus o abençoe !....
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