Já lá vão uns anos... mas foi uma experiência espectacular no INEM
O
período de trabalho era das 16:00 às 24:00. Cheguei às 15:40. Só tive tempo de
arrumar algumas coisas. Às 15:45 já estávamos a sair para um serviço. As emoções
foram muitas: as curvas, as rotundas, a ultrapassagem dos veículos, o tempo que
passava... e ainda tínhamos alguns quilómetros à nossa frente até chegar à
ambulância que trazia o doente (um jovem de 17 anos em estado bastante
crítico). O encontro com a ambulância. A entrega total do médico e do
enfermeiro nos primeiros socorros. O carinho com que ele era tratado. A
medicação, o oxigénio. O afecto das duas funcionárias da Instituição, que
acompanhavam o jovem... Decidi não ir na ambulância para dar lugar à
funcionária na qual o jovem confiava. A viagem para o Hospital. A entrada na
urgência. Imediatamente uma nova chamada. Agora era um homem de quase 80 anos.
De novo a adrenalina da viagem. IC2 a todo o vapor. Uma lomba numa rua, lomba
essa sem estar anunciada. E vínhamos a acelerar! Voámos! De novo o encontro com
a ambulância à porta do doente. A esposa e os vizinhos de veras assustados. Não
se esperava a doença súbita. O médico e o enfermeiro entram na ambulância. Eu
fico cá fora junto desta quase multidão que aguardava notícias (num próximo
post conto o que se passou). O doente tem de ser transportado até ao hospital.
De novo "a abrir" IC2 fora. Chegámos bem. O doente ficou internado.
Reposição
de todo o material médico usado nas duas saídas. Tudo pronto. Espera. De alguns
minutos. Poucos. Nova chamada. Saímos a toda a pressa. Um idoso dum Lar.
Corremos para a auto-estrada. Na saída da auto-estrada, a viatura não consegue
ter velocidade. A caixa de velocidades. Temos de informar que não podemos
seguir até ao destino. Uma outra VMER nos substitui. Trocamos de viatura e
regressamos à base. Há tempo para comer alguma coisa. Termina a pequena
refeição. Nova chamada. Temos muitos quilómetros à nossa frente. Já é de noite.
A Estrada da Beira parece que não tem curvas. Vamos ao encontro da ambulância.
Um homem de 56 anos. Problemas cardíacos graves. Verificar a medicação. Vem bem
medicado do Centro de Saúde. Aumenta-se a dose. O ritmo cardíaco normaliza-se.
Venho an ambulância, junto do doente, do médico e duma bombeira. O médico
explica-me pormenorizadamente tudo o que se deve fazer nestas circunstâncias,
durante a viagem até ao hospital. Vamos conversando com o doente. Mantê-lo
atento e activo. Chegamos já perto das 24:00. Uma nova equipa nos espera.
Quero
destacar:
.
a destreza dos enfermeiros-condutores; a sua presença de espírito; o
profissionalismo; a segurança com que conduzem a VMER;
.
a calma e serenidade do médico; o seu espírito de serviço e a paixão com que
exerce a sua missão;
.
a camaradagem com que me envolveram;
.
a colaboração da quase totalidade dos condutores que fomos encontrando ao longo
dos 4 percursos;
.
a falta de civismo de alguns condutores que não se arredavam e até se colocavam
à nossa frente;
.
o papel maravilhoso dos bombeiros que serviam nas 3 ambulâncias;
Pode
parecer estranho, mas, nas 4 viagens que fizémos, senti uma enorme segurança.
Muita
coisa fica por dizer.
Excelente...
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